‘A depressão é um gigante que chega perto de você e suga toda sua energia’

Segundo a OMS, problema já afeta 322 milhões de pessoas no mundo e é responsável por grande parte dos 788 mil casos de suicídio registrados anualmente

 Por Gildo Júnior

Claudineide Araújo tem 48 anos e carrega dentro de si marcas profundas de uma perda irreparável e de inúmeras batalhas travadas para criar sozinha seus três filhos, os quais chama carinhosamente de “Donda”, “Lika” e “Belisco”. Ela está entre os 322 milhões de pessoas no mundo que sofrem de depressão – doença que mais incapacita pessoas na atualidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Leidinha, como Claudineide também é conhecida, luta contra o problema há 31 anos.

“Lidar com a depressão é como brigar com um gigante. É remar contra a maré. É como lutar com um touro. É um gigante que chega perto de você e suga toda sua energia. Quem tem depressão não vive, vegeta. Não tem alegria. É muita tristeza, muito medo, muita angústia. A gente pensa que o mundo acabou e não existe ninguém ao nosso lado. Não desejo isso pra ninguém. Só Deus é quem me dá forças”, relata.

Segundo levantamento da OMS, o transtorno mental já afetava, só em 2015, 322 milhões de pessoas no mundo, dos quais 11, 5 milhões eram brasileiros ( o equivalente a 5,8% da população nacional). Os dados foram divulgados no início de 2017. O problema tomou proporções tão expressivas que foi usado como tema pela OMS, neste ano, para o Dia Mundial da Saúde, lembrado em 7 de abril. O assunto foi debatido mundialmente por meio da campanha “Let’s talk” que, em português, significa “Vamos conversar”.

Entre as vítimas do problema estão crianças, jovens, adultos e idosos, de todos os gêneros e classes sociais, que se veem mergulhadas em profunda tristeza e lidam diariamente com as consequências da perda de interesse pela vida, ausência de prazer, sentimento de culpa, baixa autoestima, sensação de cansaço permanente, além de dificuldade de concentração e distúrbios do sono e apetite.

De acordo com a psicóloga Vitória Guilick, para ser diagnosticado com a doença, o paciente precisa ter, pelo menos, cinco dos sintomas mencionados acima, sobretudo o humor deprimido e a perda de interesse. Segundo a profissional, o transtorno pode surgir por fatores psicológicos, sociais e biológicos. “Cada indivíduo é um ser único, particular. Então, assim como a febre pode surgir por várias causalidades, o mesmo ocorre com os transtornos mentais”, explica.

03.jpg
Leidinha relata uma série de experiências que intensificou seu quadro depressivo ao longo dos últimos 31 anos.

Claudineide Araújo morou grande parte de sua vida em uma fazenda com o pai e os irmãos, na antiga capital de Alagoas, Marechal Deodoro, onde todos trabalhavam no corte da cana de açúcar. Cresceu sem quase ter recebido o carinho da mãe, que morreu seis meses após seu parto. Ela é a 10ª entre os irmãos. “Minha infância e adolescência foram muitos sofridas com meu pai e meus irmãos lá na Fazenda Roncador, do seu Francisco”, recorda.

Aos 16 anos, ela decidiu fugir com o único “amor da sua vida” e pai de seus filhos, à época com 20 anos. Sebastião da Silva morreu quatro anos depois do casamento. O jovem sofria de problemas no coração. “Ele foi meu ‘único tudo’. Saí de casa com essa idade pro lar dos pais dele, que fizeram nosso casamento. Nove meses depois veio o ‘Belisco’, meu primeiro filho, um ano depois veio a ‘Donda’ e no ano seguinte a ‘Lika’. Ou seja, fui mãe aos 17, 18 e 19 anos.”

Sebastião foi embora e deixou dois grandes desafios para Claudineide: criar os três filhos do casal – um com três anos, uma com dois e a outra com 10 meses – e a difícil tarefa de lidar com sua partida sem volta.  “Foi a pior experiência da minha vida. Perdi o chão, perdi o rumo, perdi tudo. Não sei como criei meus filhos. Só Deus é quem sabe. Até hoje fico pensando em tudo que passei. Fiquei atordoada. Só tinha 19 anos.”

Mais violência

Depois de alguns anos da morte de Sebastião, Claudineide se casou novamente, mas se separou. O segundo marido era mulherengo e tinha problemas com álcool. “Ele era tudo de ruim. Só não me batia porque eu botava ‘quente’. Me separei há mais de 12 anos e até hoje não quis saber de mais ninguém”.

Em 2013, a violência no município alagoano de Pilar também obrigou Leidinha a deixar sua casa. As cenas de “terror” provocadas pela disputa pelo tráfico de drogas na cidade também agravaram seu quadro depressivo. “Lá mata um e deixa três amarrados pro outro dia. É triste. Minha depressão só piorou. Fiquei muito doente, e o meu psiquiatra disse: ‘Ou você procura outro lugar ou perde a vida. Foi quase um início de guerra”, descreve.

Esses episódios enfraqueceram ainda mais as forças de Claudineide para vencer os desafios da vida. Ela sofre de depressão pós-parto desde a primeira gestação. Como grande parte das vítimas da doença, Leidinha precisa aprender diariamente a controlar suas emoções. Ela também usa medicação e tem acompanhamento psiquiátrico regularmente.

“Quando vem uma alegria, a gente passa dois, três meses melhor, tem vida nova, mas depois a tristeza começa a chegar, e a gente vai se trancando, não quer conversar, passear. Vão batendo o medo, os pensamentos negativos. Essa doença é avassaladora, mas defendo que vale a pena acreditar na vida. Quem tiver nessa situação, busque Deus e a ajuda de bons profissionais. Convivo com o problema há 31 anos e sei que não é fácil, mas também não é impossível”, assegura.

Como lidar com as vítimas

Uma das dificuldades que impedem o acesso das vítimas ao tratamento é a incompreensão de familiares e amigos. Muitos desconhecem a gravidade do problema e acreditam que os afetados passam apenas por breves períodos de tristeza ou que estão fazendo “corpo mole”.

Alguns mais insensíveis tratam os casos como “frescura”, “fricote”, imaturidade e despreparo para lidar com as situações de adversidade enfrentadas no dia a dia, seja na relação com familiares e amigos ou em ambientes educacionais e de trabalho. Contudo, o apoio de pessoas que possuam vínculo afetivo com as vítimas, conforme a psicóloga Vitória Guilick, é fundamental para que elas consigam superar a doença.

 

Foto_psicóloga Vitória Guilick
Psicóloga destaca importância do apoio familiar e de amigos para recuperação das vítimas de depressão. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Acredito que a principal dificuldade em se buscar ajuda, infelizmente, ainda seja o preconceito. A Sociedade, embora tenha avançado a respeito do conceito de saúde, ainda é muito resistente quando se trata de saúde mental. Entretanto, além do tratamento particular, a rede pública já disponibiliza o acesso a acompanhamento psicológico e psiquiátrico nos postos de saúde, Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Atenção Psicossocial (Caps), e isso serve de estímulo para buscar a solução do problema”, avalia Guilick.

A profissional alertou ainda para a relação entre suicídio e depressão (ver números sobre o assunto na última reportagem desta série). “Nunca duvide de alguém que diz querer se matar, pois ‘chamar atenção’, às vezes, é apenas um aviso sobre o que, de fato, vai acontecer. Então, cabe aos parentes e amigos fornecer esse apoio, que é muito importante. Não julgue, ajude. Quando são criticadas, as pessoas em sofrimento psíquico se sentem humilhadas, e é nesse momento que as ideias suicidas surgem como alternativa para acabar com o sofrimento.”

 

‘VOLTA POR CIMA’

Vítima de depressão conta como usou a arte para transformar sua rotina e a de colegas em clínica psiquiátrica

Após oito anos de luta contra a doença, Edneide Maria também recomeçou a vida, casou e teve um filho

01
Edneide Maria é artesã e usou o filé para ajudar os colegas de clínica a resgatarem autoestima. (Foto: Mário Daniel)

Por Gildo Júnior e Mário Daniel

Todo mundo deve conhecer alguém na vida que parece ter nascido com vocação para anjo ou herói. Sabe aquele tipo de gente que, mesmo “pra baixo”, não mede esforços para socorrer quem precisa? A maceioense Edneide Maria, de 37 anos, é um exemplo disso. Professora de artesanato e dona de um coração espaçoso, ela teve a ideia de ministrar oficinas de arte para colegas da clínica em que fez tratamento contra a depressão. O objetivo foi ajudá-los a recuperar a autoestima.

Tudo começou quando Maria percebeu que seus companheiros de tratamento se sentiam entediados, nervosos e descontrolados por não terem o que fazer. Pensando em mudar essa situação, ela procurou o médico responsável pelo local e pediu para dar aulas de artesanato, explicando que ministrava oficinas antes de ser acometida pela doença. A proposta foi imediatamente aceita.

“A introdução do artesanato no dia a dia da clínica foi fundamental para recuperar um pouco da autoestima daquelas pessoas. Pacientes que não levantavam da cama saíram para pintar. Foi uma grande vitória para eles e, principalmente, para mim. Eu fui pra lá precisando de tratamento e ainda consegui ajudar meus companheiros”, relata.

Clique no vídeo abaixo e descubra o motivo que levou a artesã a entrar em depressão.

Desde 2002, Edneide Maria  luta contra depressão severa. Após oito anos de tratamento sem sucesso, ela resolveu apostar mais uma vez e procurou a clínica psiquiátrica onde permaneceu por três meses. O processo de adaptação no local, entretanto, foi bem difícil.

“No começo foi duro, pois as doses dos medicamentos triplicaram, e eu ficava totalmente dopada. Tinha alucinações, escutava vozes, meu coração acelerava. Meu desespero foi grande lá dentro. Não conhecia ninguém, e cada internado tinha um problema diferente. Era gente com dependência química, alcoolismo, transtorno de personalidade, e muitos, como eu, tinham depressão”, descreve.

Com o passar dos dias, graças à convivência com os companheiros, Maria percebeu que seu problema não era o pior e foi se habituando ao tratamento. “Aquele local foi se tornando quase um lar para mim. Fiz amizades, chorei sozinha e acompanhada, tive minhas crises, e os enfermeiros ficavam acordados para cuidar de mim. Era um ajudando o outro”, lembra.

Durante o internamento, o pai de Maria se tratava de um câncer, o que piorou sua situação. Felizmente, ela conseguiu autorização para visitá-lo e, nesse contato, recebeu forças do genitor para continuar lutando contra a depressão. “Ele disse que acreditava em mim, e eu lhe prometi que sairia do internamento transformada. Isso me fortaleceu muito. Sempre lembro que meu pai dizia: ‘Você consegue!’ E eu consegui.”

Dor e superação

A regra imposta inicialmente pela clínica era que Maria teria de passar três meses sem ter contato com ninguém de fora. Contudo, em virtude do grave estado de saúde de seu pai, ela começou a ser liberada aos sábados para visitá-lo. Infelizmente, no dia em que Maria recebeu alta médica, seu genitor faleceu.

“Não pude falar com ele, não pude vê-lo com os olhos abertos, mas fiz o que me pediu. Tomei a decisão de me tratar, e hoje estou bem melhor. Casei, voltei ao trabalho e tive meu filho. Tenho conseguido vencer o problema, e todos podem fazer o mesmo”, garante Maria Antônia.

 

02
Filé é uma das artes produzidas por Edneide Maria para reforçar a renda familiar. (Foto: Mário Daniel)

 

NOVO TEMPO

Ex-usuário de crack compartilha experiência sobre depressão e dependência química; veja depoimento completo em áudio

Hoje reabilitado, ‘Carlos Tango’ lamenta prejuízos provocados por entorpecentes e conta como conseguiu superar as doenças

Por Oldemburgo Neto

“Eu sabia que a tristeza que invadia o meu ser era a falta da droga”. A afirmação em tom desolador é de Carlos Tango (nome trocado a pedido do entrevistado), um brasileiro de 38 anos, natural do Recife e filho postiço de Maceió há mais de duas décadas.

Devido ao consumo excessivo de drogas diversas – álcool, nicotina, anfetamina, cocaína, crack, ansiolíticos e antidepressivos – Tango desencadeou um grave quadro de depressão que por pouco não lhe custou a própria vida, aliado a uma coleção de pequenas tragédias pessoais como o fim do casamento e a perda de um emprego.

 “Eu sempre fui uma pessoa rica de felicidade. Mas, depois do vício, muitas coisas mudaram. Quando me dei conta de que estava perdendo tudo e que não ia resistir, me desesperei e me vi num caminho sem volta. A depressão me consumiu”, revelou.

O primeiro passo de Carlos rumo à sua reabilitação foi analisar o estilo de vida que estava levando e pensar onde iria chegar vivendo daquele jeito. Eis que lhe surgiu, inesperadamente, uma oportunidade de ajuda.

 “Num belo dia meu antigo chefe me observou e perguntou se eu precisava de algum tratamento, independente de qual fosse o meu problema. Aceitei a ajuda e conheci um lugar chamado Sonho de Deus”, contou.

A Casa de Recuperação Sonho de Deus fica localizada na região metropolitana do Recife, mais precisamente na Ilha de Itamaracá, e sua principal atividade é acolher e tratar dependentes químicos por meio da laborterapia – um método psicoterápico baseado no trabalho, principalmente o manual, para afastar os malefícios da desocupação, da ociosidade e do vício em drogas, além da abstinência.

Decidido a mudar de vida, Carlos Tango deu início a um processo de renovação e, ao mesmo tempo, resgate dos seus melhores dias. “Eu me envolvi tanto com o trabalho da casa de recuperação que acabei ficando lá mais tempo do que o previsto, colaborando com as atividades e desenvolvendo trabalhos em outras áreas fora da casa, na Ilha de Itamaracá”, comentou.

Atualmente livre da dependência química, Tango lamenta o tempo perdido durante o período em que foi usuário de drogas. “Lamento muito por ter sido tão fraco, por ter me jogado tanto em um prazer. Um prazer que não tem prazer. Certos prazeres nos dão um retorno. O crack não tem retorno, só subtração”, pontuou.

Quer saber mais sobre a experiência comovente de Carlos Tango? Ouça seu depoimento completo clicando aqui.

Números que assustam

A degradação por uso de crack acontece em uma velocidade incontrolável. Em menos de um mês, o fumante deixa de ser um simples iniciante em busca de novas sensações para se tornar um usuário contumaz, viciado e entregue aos efeitos devastadores da droga.

Ao contrário do que ocorre com a maconha, com o álcool e até mesmo com a cocaína, que, apesar do perigo extremo, demoram mais para provocar danos degradantes, o crack causa prejuízos em curtíssimo espaço de tempo.

Veja recorte de estudo sobre a situação atual do consumo de drogas no país feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (INPAD):

 

  • em cada 3 usuários de crack morre nos primeiros cinco anos de consumo da droga;

 

  • 42% foi o crescimento da procura de dependentes de crack pelo Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad/Unifesp) entre 2005 e 2009;

 

  • O Brasil é o maior mercado de crack do mundo e o  em cocaína, de acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. Esta epidemia corresponde a 20% do consumo global da cocaína. O índice engloba a droga refinada e os seus subprodutos, como o próprio crack, o óxi e a merla;

 

  • Quase 2 milhões de brasileiros, afirmam os dados, já usaram a cocaína fumada (crack, óxi ou merla) uma vez na vida, atingindo 1,8 milhão de adultos (1,4% da população) e 150 mil adolescentes (cerca de 1%);

 

  • No Brasil, a região Sudeste aparece como a de maior concentração de usuários de cocaína e seus subprodutos (crack, óxi e merla). A região abriga 1,4 milhão de usuários (46%). O Nordeste vem em seguida e é considerado a segunda região com o maior número de consumidores, com 800 mil (27%). O Centro-Oeste e o Norte aparecem empatados na terceira posição, com 300 mil (10%), e o Sul é a região com o menor número de usuários das drogas, com 200 mil (7%);

 

  • A pesquisa, que foi feita com 4.607 pessoas de 149 municípios brasileiros, indica também que o primeiro uso de cocaína ocorreu antes dos 18 anos para quase metade dos usuários (45%), seja para quem ainda consome a droga ou para quem já usou ao menos uma vez na vida.

 

Para saber mais sobre o levantamento da Unifesp, clique aqui.

 

TABU

Mídia, suicídio e interesse público: diretor do TNH1 fala sobre silêncio da mídia acerca de casos de pessoas que tiram a própria vida

Gilson Monteiro é contra a exploração dos fatos, mas defende a divulgação de campanhas preventivas por meio do jornalismo

Por Marcondes Leite

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é 10 de setembro. A data é fundamental para trazer à tona a discussão sobre o tema, que tem se tornado um grave problema de saúde pública e, por isso, precisa ser debatido de forma mais séria. A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou, no início deste ano, que 788 mil pessoas no mundo cometem suicídio anualmente. Isso equivale a um caso a cada quatro segundos. As mortes, em grande parte, têm relação com a depressão.

Talvez o que cause estranheza na população, frequentemente atraída por matérias policiais que retratam a violência no país e aumentam a audiência em portais de notícia e programas de rádio e televisão, seja o silêncio da mídia em relação ao suicídio. Pouco se vê a divulgação de campanhas preventivas, e a exploração de casos de pessoas que tiram a própria vida também é repudiada por grande parte dos veículos de comunicação do país.

O diretor do portal Tudo na Hora (TNH1), Gilson Monteiro, explica, no vídeo abaixo, algumas razões para haver esse consenso entre os profissionais da imprensa. O jornalista aborda, entre outros pontos, o posicionamento midiático em relação ao tema, defende o uso do jornalismo como instrumento de conscientização social e pondera sobre suicídio, intimidade e interesse público.

Confira a análise do jornalista na íntegra:

 

* Esta série de reportagens multimídia é assinada pelos estudantes de Jornalismo Gildo Júnior, Mário Daniel, Marcondes Leite  e  Oldemburgo Neto, ambos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O trabalho é requisito de avaliação da disciplina Oficina de Tecnologias Contemporâneas em Comunicação, ministrada pela Profª Drª. Priscila Muniz.

 

 

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

A WordPress.com Website.

Up ↑

%d bloggers like this: