Na rota dos ventos: AL desperdiça potencial de energia eólica

Por Andreza Cristhina, Graziela França, Karina Dantas e Lucas Thaynan


Muito se fala sobre o aquecimento global e outros prejuízos ao meio ambiente, que têm, como uma das causas principais, a geração de energia por meio de fontes não renováveis, que dependem da atmosfera, como o petróleo. A partir disso, estudiosos acreditam que a forma mais viável de evitar o aquecimento global e outros danos ao nosso planeta seria com o aumento do uso de energias renováveis, aquelas que são provenientes de recursos naturais, e que auto se abastecem, como sol, vento e a chuva.

Atualmente, as hidrelétricas são responsáveis por 90% da energia elétrica gerada no país, que transforma a força concentrada das águas dos rios em energia hídrica. Outra pequena parte é proveniente da energia eólica, que aproveita a força do vento para transformá-lo, por meio de geradores, em eletricidade, e o impacto ambiental é mínimo em relação às principais fontes energéticas presentes no Brasil. No entanto, de todos os estados do Nordeste, Alagoas é o único que não possui parque eólico.

FONTE DE ENERGIA QUE MAIS CRESCE NO PAÍS

No ano passado, o Brasil registrou um aumento record na taxa de geração de energia eólica. Foram mais de 20%, até dezembro de 2016 em relação a 2015, de aumento na captação de energia por meio das torres. O estado do Rio Grande do Norte é o que possui o maior número de usinas eólicas no país, com 85 parques. E junto com Ceará e Bahia ajudaram o país a chegar neste alto índice de geração de energia por meio dos ventos.

Imagem relacionada
Imagem: Portal Brasil

Entre os benefícios da implantação da energia eólica está a diversificação da matriz energética. No caso do Brasil, onde a maior parte da energia elétrica é proveniente da chuva, em períodos de seca ou estiagem na região hidrelétrica poderá ocorrer apagões, ou ainda, fazer uso primordial de usinas termelétricas, que é uma fonte de energia não renovável e por isso, prejudicial ao meio ambiente. Além de ser uma alternativa muito cara de geração de energia, o que acaba impactando os bolsos dos consumidores.

Roberto Lyra
Professor Roberto Lyra realizando a instalação da torre de pesquisa de energia eólica (Foto: Arquivo pessoal)

Contudo, segundo explica o professor de meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e doutor em física da atmosfera, Roberto Lyra, o processo de implantação de um parque eólico é muito longo, começando do mapeamento de lugares potenciais, estudo que dura cerca de 20 a 30 anos. A segunda fase seria fazer as medidas dos ventos nesses locais, que no Brasil é necessária uma base de dados de três anos de estudos e, depois do atestado de um especialista, o próximo passo é fazer um projeto para entrar em leilões de energia. Então começa a fase da construção.

“Uma vez que toda essa parte burocrática é resolvida, a construção é a mais rápida, se comparar com uma hidrelétrica, por exemplo. Um parque eólico você constrói em poucos meses e em torno de um ano já está com ele pronto”, explica o professor.

Por outro lado, a construção das torres de energia eólica, que estão na ordem dos 100 metros de altura, poderia trazer alguns impactos negativos, como a morte de pássaros e morcegos pelas hélices das torres. No caso de populações que moram perto do parque, os problemas prováveis seriam a sombra e o barulho que as torres geram.

“Imagine uma região rural, calma, e de repente tem uma sombra gigante se movimentando, isso causa estresse à pecuária. Se for muito próximo de vilarejos ou pequenas cidades há o barulho causado pelo motor que embora não seja assim tão alto, é constante e contínuo, o que acabaria afetando a qualidade de vida dos moradores. Equivale, em termos de decibéis, a um liquidificador ligado. “Mas, geralmente, as torres são feitas em locais muito remotos, onde não tem a quem incomodar”, explicou o doutor Roberto Lyra.

CONDIÇÕES E LUGARES IDEAIS

Para que o gerador consiga produzir energia, é necessária uma incidência mínima de vento, que é a partir de 3,5m/s. O professor Roberto Lyra explica que o ideal é que o local não possua vento muito fraco e nem muito forte. “Entre 3,5 m/s e 15 m/s ele atinge o máximo de produção e entre 15m/s e 25m/s ainda continua no máximo, não varia mais do que isso. Se passar de 25m/s ele tem que ser desligado, se não, ele arrebenta”, afirmou.

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De acordo com o superintendente de Energia e Mineração da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas (Sedetur), Andrey Gameleira, os outros estados do Nordeste possuem uma condição de vento melhor do que Alagoas, além de haver uma grande problemática que é a questão dos valores das terras na costa alagoana.

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Andrey Gameleira, superintendente de Energia e Mineração (Foto: Lucas Thaynan).

“O litoral é onde há melhor incidência de vento para produção de energia, por ter fortes ventos, mas se barra em uma questão econômica. Como também acontece no semiárido e no alto sertão de Alagoas, onde se tem a questão fundiária, já que nos interiores as terras são divididas em pedaços entre os familiares, e por isso os empreendedores procuram investir nos lugares que darão um rendimento maior, com menos custo possível”, explica o superientende, Andrey Gameleira.

Mapa Nordeste

O GOVERNO E O MEIO AMBIENTE GANHAM JUNTOS

Com a instalação do parque eólico no Estado, o governo se beneficiaria com a arrecadação de impostos, conforme explicou o superintendente. “Na medida que a gente tem novos empreendimentos a gente tem o benefício de arrecadar mais impostos para o Estado. A indústria da energia eólica emprega muita gente na construção do parque eólico, mas depois da obra ela emprega pouco, e precisa de uma área muito grande para ser instalada”, analisa o professor.

Apesar do grande aporte de dinheiro investido para a construção de um parque eólico, o professor Roberto Lyra explica que cada vez mais precisamos buscar fontes renováveis de energia, pois muitos dos nossos recursos naturais vão se esgotar um dia. “É caro implantar um parque eólico, mas é uma das fontes alternativas que é renovável, limpa e vale a pena. É caro, mas é viável a longo prazo”.

Em relação ao custo-benefício do consumidor, o professor Roberto Lyra afirma que não haveria discrepância no valor pago, pois a energia eólica assim como a elétrica, é produzida por uma empresa e vendida ou repassada ao consumidor. Mas garante que o meio ambiente só tem a ganhar com essa tecnologia de geração de energia.

Imagens de apoio do vídeo: Google/Youtube

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